sábado, 20 de novembro de 2010

...Último dia...

Lágrimas escorrem-me pela cara, este sentimento de tristeza consome a minha alma...que triste que é sentir que tudo o que faço está errado, sentir que as palavras que profiro magoam alguém....
Sinto raiva de mim mesma, sinto mágoa, sinto culpa...
Irrita-me o meu pensar, o meu sentir, a minha voz, a minha maneira de rir, a minha maneira de falar...
Estou farta de tudo...de rir de chorar, de ouvir, de falar, de sonhar, de respirar....
Odeio tanto este ser em que me tornei.....
Sinto pena de mim mesma, por não conseguir ir mais além, por ser como sou...
Lágrimas de tristeza escorrem-me pela cara....e irão correr sempre....até ao último dia...

Marina Almeida

domingo, 7 de novembro de 2010

Lágrimas ocultas



Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!


                                                               Florbela Espanca


sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Quem nunca errou?


Se você errou

Se você errou, peça desculpas...

É difícil perdoar?
Mas quem disse que é fácil se arrepender?

Se você sente algo diga...

É difícil se abrir?
Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar?

Se alguém reclama de você, ouça...

É difícil ouvir certas coisas?
Mas quem disse que é fácil ouvir você?

Se alguém te ama, ame-o...

É difícil entregar-se?
Mas quem disse que é fácil ser feliz?

Nem tudo é fácil na vida...
Mas, com certeza, nada é impossível...

Amar


Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha, é sal, ou precisão de
amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto, o que é entrega ou adoração
expectante, e amar o inóspito, o cru, um vaso sem flor, um chão de
ferro, e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de
rapina.Este o nosso destino: amor sem conta, distribuído pelas coisas
pérfidas ou nulas, doação ilimitada a uma completa ingratidão, e na
concha vazia do amor a procura medrosa, paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa amar a água
implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Momentos


Há momentos na vida em que a única coisa que queremos é estar sozinhos, vaguear por entre pensamentos e chorar....