sábado, 3 de setembro de 2011

Um bonito sonho


Estava um dia tão sombrio. Tomei banho, vesti-me, tomei o pequeno-almoço apressadamente e saí de casa para mais um dia de trabalho. Sentia-me mal, sentia que não estava bem, mas não sabia o porquê daquela angústia…
Entretanto passou-se a manhã, fui almoçar, até ali tudo estava a decorrer normalmente, mas aquela ansiedade não me abandonava...Regressei ao serviço e uma montanha de pessoas fazia um circulo em redor de alguém. Aproximei-me para ver o que se passava, olhei e permaneci imóvel, como poderia ser possível, seria delírio?! Algo de errado se passava, a pessoa que estava ali numa cama de hospital tinha exactamente o meu rosto, exactamente os meus sinais, tive medo…Como era possível? Eu estava a olhar para mim mesma deitada numa cama de hospital inconsciente e com uma série de enfermeiros em redor de mim a tentar reanimar-me. Saí do quarto a correr, estava assustada, ia pelo corredor e dei de cara com a minha mãe, ela chorava intensamente eu perguntei “mamã o que se passa?” e ela nem olhou nos meus olhos, simplesmente continuou a chorar ignorando a minha presença, olho a meu redor, e vejo a minha família mais próxima todos ali, sentados à espera de algo, até o meu irmão ali estava gélido, com o olhar distante… Gritei alto “o que se passa aqui? Não entendo eu estou bem, estou aqui mesmo a vossa frente”, o panorama continuava o mesmo, todos imóveis como se eu não estivesse ali… Voltei ao quarto onde estava o meu corpo, entrei devagarinho e ouvi a médica falar “ela já não está entre nós” nesse mesmo instante fiquei pálida, e disse para mim mesma “morri” foi então que senti uma força a puxar-me, não ofereci resistência e deixei-me levar, era tão intensa e ao mesmo tempo tão suave…
De repente, o despertador toca, acordo rapidamente e digo para mim mesma “tudo isto não passou de um sonho…um lindo sonho…”
Marina Almeida

Pesadelo


Era tarde, não conseguia pregar olho comecei a olhar em meu redor e apenas via as paredes brancas manchadas do tempo…
Pensava eu como era possível esta solidão imensa, nem o zumbir das moscas se ouvia, estava apenas eu, perdida por entre pensamentos dos quais não me conseguia libertar.
Fechei os olhos, o medo assombrava a minha mente, sentia-me perdida no meio do nada…
De repente, ouve-se o quebrar de algum objecto de vidro, imediatamente, escondo-me por entre os lençóis onde permaneço imóvel e sustenho a respiração para detectar o mínimo ruído. No meio daquele imenso silencio sobressai então um barulho estranho, pareciam passos lentos, gelei,  o som aproximava-se cada vez mais e eu cada vez me encontrava mais assustada, sentia um fervilhar dentro de mim, o meu coração batia tão rápido que parecia que ia saltar do peito a qualquer momento…
Momentaneamente o som desaparece, e inesperadamente sente-se um ruído diferente, e desta vez acompanhava-se de um respirar abalado, comecei a suar, o som era idêntico ao abrir de uma porta, não acreditava no que estava a acontecer, estava tão perto…sentem-se mais dois ou três passos e o som do respirar mesmo ao meu lado, e eu cheia de medo apenas rezava. Fez-se silêncio novamente, minutos a seguir ouve-se um respirar profundo e sinto algo a retirar-me os lençóis de cima da cabeça, não me contive mais e gritei profundamente, abri os olhos e de imediato acendi a luz, olhei em meu redor….não estava ninguém….
                                                                                                                                                                     Marina Almeida

Reflexo


Olho no espelho e para além da cor preto dos meus olhos apenas consigo visualizar solidão, tristeza...esta cor retrata o estado da minha alma...gélida e assustada...incapaz de imaginar como será o amanhã, porventura mais frio que o presente e mais doloroso que o passado...
Encaro novamente o espelho...uma cor pálida assombra o meu rosto contrastando com o vermelho dos meus lábios severos...De imediato desvio o olhar, sinto-me aterrorizada com o cenário que acabo de presenciar...corro para o quatro e recolho-me no meu leito, onde permaneço céptica relembrando a imagem que acabara de assistir...
                                                                                                                                                                                                                                              Marina Almeida