Estava um dia tão sombrio. Tomei banho, vesti-me, tomei o pequeno-almoço apressadamente e saí de casa para mais um dia de trabalho. Sentia-me mal, sentia que não estava bem, mas não sabia o porquê daquela angústia…
Entretanto passou-se a manhã, fui almoçar, até ali tudo estava a decorrer normalmente, mas aquela ansiedade não me abandonava...Regressei ao serviço e uma montanha de pessoas fazia um circulo em redor de alguém. Aproximei-me para ver o que se passava, olhei e permaneci imóvel, como poderia ser possível, seria delírio?! Algo de errado se passava, a pessoa que estava ali numa cama de hospital tinha exactamente o meu rosto, exactamente os meus sinais, tive medo…Como era possível? Eu estava a olhar para mim mesma deitada numa cama de hospital inconsciente e com uma série de enfermeiros em redor de mim a tentar reanimar-me. Saí do quarto a correr, estava assustada, ia pelo corredor e dei de cara com a minha mãe, ela chorava intensamente eu perguntei “mamã o que se passa?” e ela nem olhou nos meus olhos, simplesmente continuou a chorar ignorando a minha presença, olho a meu redor, e vejo a minha família mais próxima todos ali, sentados à espera de algo, até o meu irmão ali estava gélido, com o olhar distante… Gritei alto “o que se passa aqui? Não entendo eu estou bem, estou aqui mesmo a vossa frente”, o panorama continuava o mesmo, todos imóveis como se eu não estivesse ali… Voltei ao quarto onde estava o meu corpo, entrei devagarinho e ouvi a médica falar “ela já não está entre nós” nesse mesmo instante fiquei pálida, e disse para mim mesma “morri” foi então que senti uma força a puxar-me, não ofereci resistência e deixei-me levar, era tão intensa e ao mesmo tempo tão suave…
De repente, o despertador toca, acordo rapidamente e digo para mim mesma “tudo isto não passou de um sonho…um lindo sonho…”
Marina Almeida





